Linux - O respeito ao perfil de uso é importante, sim senhor
Autor: Raimundo Barreto da Silva Neto
Fonte: http://www.meiobit.com/arq/007264.html
Você prefere um médico que aprendeu a digitar textos no Word e mandar e-mails, para se dedicar totalmente ao aprendizado e melhoria do seu ofício e revisão de técnicas cirúrgicas, ou prefere um médico preocupado com o lançamento do novo kernel de um sistema operacional e explorar tudo o que pode ser feito nele? Um deles vai abrir seu joelho em 2 dias.
O que me parece, em princípio, é que há um equívoco entre os defensores do software livre e no Linux na abordagem de quem é o usuário comum. Se a pessoa teve a curiosidade de perguntar qual distro ela deveria tentar primeiro, escolha a que você acha melhor e indique. Não adianta dizer: tem o sabor A e o B. Tem também o Aa, BA, C, D, E… você vai ter que tentar alguns deles e ver qual gosta mais. Pare! A pessoa não está interessada em aprender sobre o sistema operacional ou como ele funciona e testar 5 distribuições diferentes. Não há tempo pra isso e não é prático mudar de sistema operacional 5 vezes, nem mesmo usando um VMWare da vida, já que cada distro parece algo completamente novo (sabemos que não é, mas vai convencer um leigo).
Ele ou ela possuem prazos em seus ramos de atividade que não permitem ficar testando e fuçando um sistema operacional. Eles precisam dele para acessar o hardware e fazer algo mais, simples assim. Se um advogado resolve usar Linux no escritório dele, pede para o responsável pelo seus sistemas: quero Linux, o nosso prazo é x e são 20 máquinas. Ele tem dúzias de processos na mão e não quer realmente saber, e de fato não precisa, o kernel usado ou qual a interface. Ele precisa redigir 50 petições até o fim da semana e ponto final. Não é importante para ele saber a filosofia do Linux, mas ele mata você se não puder imprimir o documento de forma correta.
Muitos fórums de discussão, tanto no Brasil quanto no exterior, vejo xiitas tecnológicos condenando as pessoas que tem dificuldade com um sistema operacional não-Windows e preferem usar o que já conhecem. Julgam-os com alguns adjetivos indecorosos como incapazes, incompetentes, ignorantes, preguiçosos, indiferentes, apáticos, desinteressados ou simplesmente burros demais para trabalhar com um sistema operacional inteligente e que não saber configurar a impressora ou uma porta serial é porque essa “gentalha” não merece um sistema não-Windows e serão condenados eternamente ao mundo de ignorância e insegurança.
São palavras fortes, eu sei. Mas em todos esses anos, já tive acalorados debates com gente assim e é muito complicado convencê-los que o sistema operacional deve se adaptar ao humano, não o contrário. As pessoas têm no Linux uma oportunidade ímpar de permitir a tipos completamente diferentes de usuários, usufruir de um sistema operacional: o que gosta de estudar o Linux, aprender sobre o sistema e suas funcionalidades e o usuário que não quer o Linux no caminho dele para produzir alguma coisa. A usabilidade das distros melhorou muito de uns anos para cá e espero realmente que continue a melhorar. Achar que qualquer um deva saber configurar uma rede ou um firewall é assumir que qualquer um deva saber como construir um navio. A maioria sabe utilizar as dependências do navio. Outros, sabem operá-lo em nível mais alto e outros, podem ir na casa das máquinas mudar uma ou duas peças, mexer no controles de engenharia com desenvoltura e ainda operar o navio.
Algo interessante também é observar que quanto mais facilidades, como automação de tarefas e simplicidade de comandos, há uma aceitação do usuário comum e rejeição pelos power users. O primeiro, quer plugar uma câmera digital, uma impressora e uma webcam e eles simplesmente se auto-instalarem e quando ligar um programa apropriado, eles funcionarem. Já o outro, quer saber exatamente quais os drivers estão sendo instalados, versão, onde, e quais processos serão chamados por ele, tendo total controle para desabilitar esse ou aquele recurso. A comunidade Linux fica bastante dividida entre as interfaces Gnome e KDE, por exemplo. Uns dizem que o Gnome foi simplificado demais e trata os usuários como antas e que o KDE é muito melhor. Outros dizem que a complexidade do KDE afasta os usuários comuns, mas é adorado por quem é profissional ou usuário experiente do sistema. Essa é uma discussão muito tola e problemas como melhor suporte de drivers parecem ficar em segundo plano.
Talvez o que falte aos profissionais e alguns desses pseudo-defensores do software livre, é mais humildade em aceitar as diferenças e preferências dos usuários. Se uma pessoa gosta de algo diferente e você não concorda, não a condene ou faça desdém. Argumentos são sempre melhores, mas esteja preparado para aceitar a derrota. Sacuda a poeira e tente novamente em outra oportunidade.


March 1st, 2006 at 6:01 pm
Clap Clap Clap!!! Sen-sa-ci-on-nal.
Pra aqueles que dizem: “Ah é fácil! Baixe o kernel versão X por CVS,utilize o vi pra configurar, e compile através de comando básicos…”
March 2nd, 2006 at 3:45 pm
Parabéns pela matéria, excelente.
March 8th, 2006 at 10:09 am
Faço minhas as tuas palavras
March 9th, 2006 at 8:34 am
Bom ao mesmo tempo que concordo que não devamos exigir que um idiota consiga construir um navio devemos deixar esse idiota usando windows com um cabresto. A tentativa de mudança, concordo é desastrosa se feita sem leitura prévia de várias páginas de documentação e isso requer tempo e noites sem dormir. Não são todos os usuários que tem tempo ou disposição para isso. Se for assim não sei por que usar linux. Como disse um desafeto meu, se não sabe pague para quem saiba. Mas também não fique fazendo perguntas idiotas em fóruns. Se não quer mecher no sistema não pergunte e use calado. Se quer aprender pergunte, mas inteligentemente. Acho que o texto vem em defesa à burrice e a preguiça humana. 2000 anos de evolução e ainda não temos um objetivo em comum. Enfim, se não quer aprender a usar linux fique naquela caixa azul escura. Não faz falta nenhuma. E se pareço xiita, ou radical me desculpe. Não concordo em usar algo sem saber como funciona. Ao menos uma lida no “manual” devia ser obrigatório pela constituição federal. heheheh.
March 9th, 2006 at 9:20 am
Uma coisa que acho engraçado, quando a pessoa compra um aparelho eletrônico novo, vamos usar como exemplo, o DVD. Suponhamos que esse DVD seja diferente dos habituais que ela esta acostumada a usar (mais funções), a pessoa não vai ter que ler o manual do aparelho pra aprender a usá-lo?
Porque em informática tem que ser diferente?
Quando o texto fala que é o SO que tem que se adapatar ao usuário e não o usuário que tem que se adaptar ao SO, então, podemos descartar o Windows dessa lista, pois como é um sistema engeçado, você esta condicionado a usar aquilo que lhe é proposto pelo fabricante, sem a possibilidade de configurar o sistema para trabalhar de acordo com as suas necessidades. Dessa forma o sistema pode te satisfazer com o que ele oferece, ou então o contrário, você terá que se adaptar as limitações que esse tem e aprender a trabalhar com isso.
March 10th, 2006 at 10:05 am
Tenho uma novidade para vces:
“A maioria absoluta dos usuários NÃO LÊ manuais, seja de DVD, TV, Escova de dentes, seja do que for.
A maioria absoluta dos usuários NÃO USA todos os recursos tecnológicos dos aparelhos (seja um computador, DVD, TV., Video-cassete).
A maioria absoluta dos usuários não está interessada em “aprender um sistema operacional”, eles (a maioria) não ficam fuçando os menus do DVD, da TV, ou do que quer q seja, eles simplesmente usam o que conhecem e procuram ajuda quando precisam fazer uma tarefa nova.
Muitos computadores são vendidos para profissionais ou pequenas empresas (o exemplo do médico é primoroso), que precisa que o computador resolva seu problema e PONTO.
Uma esperança muito bom que vejo para a adoção de software livre pelos profissionais libeirais é a popularização de programas com interface WEB (via intranet ou Internet).
Na minha opinião a navegação no Linux, Freebsd, etc já está no mesmo nível do Windos (ou até mais rápida). Além de tudo o usuário fica livre para usar sistemas diferentes (migrar aos poucos) e trocar de sistema conforme suas conveniências.
March 10th, 2006 at 10:30 am
As pessoas de hoje usam Windows por que por muito tempo ele foi a única opção razoavelemente fácil de usar, com bom reconhecimento de hardware e que já vem instalado no computador.
Usa o Office por que milhares de anexos em doc, xls, pps e mdb são enviados e a pessoa precisa abri-los.
O curioso é que a maioria das pessoas acaba comprando um computador novo por que não está mais conseguindo ler os últimos anexos dos e-mails que recebe pq a microsoft lançou uma versão nova do Office, ela compra o computador novo que vem com Windows e Offce novos “de graça” e fica feliz da vida, do ponto de vista de recursos que o usuário cria de fato não houve grandes alterações, um documento médio de hoje é o mesmo de 10 anos atrás (texto formatado, uma ou outra imagem, mala direta, tudo isso já podia ser feito há dez anos). Ou seja o usuário paga por um novo computador, que vem com programas ilegais, somente para poder abrir os arquivos que recebe, sem usar qualquer dos novos recursos porventura existentes.
March 10th, 2006 at 5:33 pm
E viva inclusão digital para uso de:
ORKUT
MSN
ENVIO DE E-MAIL COM PPS
ENVIO DE E-MAIL COM CORRENTES
Enfim, sub-uso de recursos!!!
March 12th, 2006 at 12:34 pm
Com relação ao que foi citado no artigo, mas precisamente sobre um melhor suporte aos drivers de hardware, gostaria de informar ao autor, que o grande vilão do suporte ao hardware, NÃO É, nem nunca foi o LINUX, mas sim, os fabricantes do hardware, que na sua GRANDE MAIORIA não desenvolveram e nem desejam desenvolver driver para linux, não é o linux que desenvolve os drivers dos hardwares, mas sim os seus fabricantes, claro que todos vendem ou até mesmo dão gratuitamente drivers ao sistema windows, óbvio, principalmente se você começar a imaginar numa conspiração, num consórcio entre a microsoft e os fabricantes de hardware, do tipo: Microsoft — “Ok, deixamos você ter acesso a nossa tecnologia e podemos até fornecer suporte ao seu hardware, desde que não haja por parte de vocês, suporte ao mesmo para qualquer outro sistema operacional”. Bem… isso não me parece muito justo, mas é a forma da microsoft e dos fabricantes trabalharem, claro que para isso, contamos com gênios da informática que conseguem criar drivers não oficiais, ou seja, sem a intervenção do fabricante usando estudo de caso, observando, e, isso geralmente demora um pouco, pois se o próprio fabricante não se interessou em criar, imagina o tempo para se criar um driver só olhando como ele pode funcionar? Mas sim, estamos conseguindo isso até hoje e iremos mais em frente hoje e sempre. Por isso, antes de falar que o Linux deveria dar um melhor suporte ao hardware, cuidado, pois você corre um grande risco de ser tachado no mínimo de leigo no que diz.
Por hoje é só, obrigado!
March 16th, 2006 at 2:20 pm
Por em quanto sou ainda um “usuario”, ou seja tenho conhecimentos técnicos graças a pesquisa e esforço, tanto fisico quanto mental, mais vocês devem ver que nem todos os usuarios de desktop tem este tempo, pois mesmo que os profissionais que desenvolvem os drives de linux o fassam, eles devem também trabalhar, estou estudando, uma forma de desenvolver um drive para o tão detestavel e talves a mais peverça forma de se prender o usuario a uma só plataforma, o cohecido WinModem, que são modems que só funcionam com Windows, mais o tempo que tenho para isto é pouco, pois tenho que dar aula e ainda ir para a escola, isto mesmo, tenho 17 anos, aprendi tudo que encino sobre linux com pesquisa e esforço, e agora estou terminando o colegial, esta difisil para mim simplesmente namorar, imagina então para desenvolver este drive, pesso que se alguem tiver alguma duvida sobre linux e ou quelquer outro SO, respondam com educação e respeito pois um dia vc tambem foi um “usuario”.
Obrigado pela atenção
Profº Gabriel da Silva Barros
August 6th, 2006 at 2:26 pm
Pena que não é tão fácil assim. Se fosse seria legal, mas infelizmente quando alguém usa Windows está me prejudicando, e eu não posso deixar isso acontecer! Está enchendo a Internet de formatos proprietários, e-mails mal-formados, protocolos corrompidos, etc.
Além disso, a Microsoft é um câncer no mercado de TI que impede a inovação e usa o usuário como marionetes em suas mãos para controlar o mercado. Isso é inaceitável.
March 19th, 2007 at 8:30 pm
queria muito jogar issu!!
August 9th, 2007 at 4:52 am
Tanto o artigo do início, bem como os comentários dos leitores “linuxistas”, me fizeram perceber que as opiniões estão no limite de duas extremidades: “O linux é para usuários avançados e administradores, e não serve para simples usuários”. Isso é um engano! Lembremo-nos que o intuito de Linus, bem como de toda a sua acessoria de programadores, era de que o Linux fosse difundido, e atendesse à todos que se interessassem por segurança, estabilidade, e que não tivessem que pagar carniceiramente por isso! E se o tal médico supracitado, ao receber um e-mail, tivesse sua máquina contaminada por um vírus ou qualquer programa malicioso que o fizesse perder informações importantes sobre o paciente em questão, e ao invés de se preparar para abrir um joelho, se preparasse para abrir o seu crânio?! Ou se ao fazer uma atualização da própria micro$oft, alguma(s) dessa atualização provocasse conflito nos programas já instalados? Se esse médico tem que se dedicar à profissão, e somente usar sua máquina para editar relatórios e enviar e-mails, por que não contar com a segurança do sistema Linux? O conhecimento de um usuário como esse médico em editar fotos, textos, planilhas, enfim, e imprimi-los no Linux, é o mesmo que teria no Windows! Os campos na informática são muito amplos! Por exemplo, quantos desenvolvedores de softwares e programadores em diferentes linguagens, não sabem usar 100% um editor de texto ou agregar gráficos à uma planilha! Sou prova disso! Já instalei Linux em diversas máquina e “configura teclado daqui, ajeita resolução de video dali, compila driver para modem acolá” e, no entanto, estou apanhando pra criar uma apresentação de slides! Não existe os “toupeiras” em informática. Existem sim, os usuários iniciantes. Se você, técnico em Linux não souber tratar o usuário, aquele que futuramente vai te dar o pão de cada dia para simplesmente editar um texto e enviar e-mails, o seu conhecimento vai servir egoístamente somente para você! Porque o usuário que quer ser apenas usuário, e nada mais do que usuário, vai se cansar, e partir para um SO pirata, ou usar aplicativos gratuítos no Windows, para criar seus textos e enviar seus e-mails. É obvio que para abrir meu joelho quero saber do médico que se dedica à medicina. Mas para manter a integridade de suas informações, quero que este médico opte por um sistema estável (sem falar de outros benefícios) e que contrate um profissional para auxilia-lo, porque não quero que ele abra meu crânio por engano.
August 17th, 2007 at 8:15 pm
Rodolfo Timóteo provou que o artigo está absolutamente certo. Ele é um exemplo vivo.
Parabéns, Rodolfo.
E no caso de digitar as petições? Como fica?
O mote do Linux é você ter direito de escolha. Mas, quando você não sabe e faz uma pergunta, dizem: “Fiquem com o windows”.
Ou seja, o “direito de escolha” é estirpado pelos próprios “defensores” da liberdade de escolha. Ridículo, estúpido e diametralmente diferente do que se espera de uma comunidade que defende tal liberdade.
Bill Gates agradece, Rodolfo. Se você continuar assim, é bem capaz de ganhar participação nos lucros da Micro$oft.