
Com a popularização da informática, a internet está a cada dia se tornando o instrumento principal de comunicação para várias pessoas. Para este ano de 2007, só aqui no Brasil, se espera uma venda superior de computadores e queda de venda de televisores. Isso significa que, na projeção dos especialistas, os consumidores irão comprar mais computadores que televisores (vale ressaltar que o Brasil é um pais apaixonado pela televisão, o meio de comunicação em massa disparadamente mais utilizado aqui).
Com isso, o Linux e o software livre deve estar preparado para esta alta demanda de usuários inexperientes entrando na grande rede mundial e utilizando o computador para suas tarefas, seja para armazenar receitas, seja para redigir documentos. O Ubuntu Linux sempre foi muito famoso por possuir configurações simples para quase qualquer coisa que se necessite, exemplo: ferramenta para instalação de impressoras, ferramenta para configuração de compartilhamentos, ferramenta para configuração da rede, ferramenta de instalação de programas (isso inclui o automatix e o easy ubuntu que adicionam importantes recursos ao ubuntu), ferramenta para configuração da hora e assim por diante.
Esta série de ferramentas que as distribuições Linux costumam colocar são os principais argumentos quando tentamos convencer alguém a migrar para o Linux, sempre com frases como: “tem uma ferramenta só pra configurar isso que você precisa! É super fácil!”. Os usuários do Kurumin Linux que sabem exatamente o que é isso pelo excesso de scripts mágicos para configurar tudo. No entanto, o futuro da informática não é mais esse, estamos entrando em uma nova era, a era do Plug and Play.
Pra falar a verdade já estamos nesta era, os dispositivos USB são reflexos diretos desta revolução que se iniciou já a muitos anos, mas alguns programadores ainda não perceberam que este conceito deve ser extendido a todas áreas da informática.
Proponho neste post aos programadores que tentem perceber que o usuário não quer configurar a impressora facilmente, mas ele quer justamente não ter de configurá-la. O mesmo para outros casos em que a intervenção do usuário não deveria ser necessária, mas opcional. O sistema operacional ideal simplesmente funciona, sem necessidade de configurações. Detectar a rede, vir com o samba previamente configurado para compartilhamento de arquivos com 1 clique, ajuste automático da hora por padrão, acesso automático a arquivos multimídia sem necessidade de configurações avançadas, etc.
Num sistema operacional perfeito, as coisas funcionariam mais ou menos assim:
- O usuário pluga uma multifuncional na porta USB e o sistema automaticamente detecta o modelo e auto-instala rapidamente o driver, permitindo uma impressão imediata, bem como escaneamento.
- O usuário pluga um MP3, MP4 ou iPOD e o software detecta-o, não importa o modelo ou marca, permitindo acesso direto ao conteúdo do dispositivo.
- O usuário abre o notebook e o sistema já detecta toda a rede, compartilhamentos (seja samba, nfs, ssh ou qualquer outro protocolo). Tudo já vem instalado e configurado.
- O usuário compartilha uma pasta e ela aparece seja para outro Linux, Windows ou Mac OS (mais uma vez o samba bem configurado ‘out of the box’).
- O usuário conecta um segundo monitor, uma televisão ou um projetor e o sistema o detecta, enviando o sinal automaticamente, permitindo configurações apenas quando necessárias como espelhamento da imagem. Ao desconectar o dispositivo, tudo volta ao normal.
- O usuário coloca um DVD no drive e o filme começa a tocar.
É claro que as patentes atrapalham bastante o uso de software livre desta maneira, vejam o exemplo dos plugins de MP3, Flash, Java e DVD. Até onde é correto e, mais do que isso, ético, instalar por padrão este tipo de ferramenta? Por que não incentivar o desenvolvimento e divulgação de alternativas livres? Até onde este debate pode ser levado?
O certo é que o mundo hoje é Plug and Play e quanto menos precisamos configurar um dispositivo, melhor para a popularização de nosso sistema. Não defendo que todas as ferramentas simplismente deixem de existir, mas que elas existam para quem deseja utilizá-las apenas. Ter o controle de tudo é muito bom, mas será que todos querem ter esse controle?


